Arte, Web e Marketing - António Dulcídio

Há uns anos, recorria-se a uma empresa de design de páginas, e punha-se em linha uma página com as nossas obras e esperava-se confortavelmente que nos contactassem, ou para comprar obras, ou para nos convidarem para uma colectiva.

Hoje ter uma página na Web onde o artista expõe os seus trabalhos para venda, deixou de ser suficiente para atingir as metas que a maioria dos artistas se propõe: vender a sua arte e promover a sua "marca".

Com o surgir de aperfeiçoados motores de busca como o Google e a guerra das "adwords", as nossas páginas pessoais podem não passar de uma letargia moribunda, com muito pouca "audiência".

Uma pergunta surge: Então qual a melhor estratégia para um artista plástico ter uma presença notória na Internet? Eventualmente não haverá uma receita mágica para o sucesso, notariedade e negócio na Internet, mas podemos sistematizar e tentar compreender. Teremos então que analisar o passado recente para entender o presente e projectar o futuro.

Analisemos o que aconteceu na Internet de há 10 anos a esta parte.

Em 1998, escrevi um artigo sobre a Internet que foi publicado numa revista e que passo a transcrever:

"O Nascimento de uma Era
A Internet está em Portugal e Portugal está na Internet. Desde há vários anos de uma forma invisível e a partir de 1994 de uma forma cada vez mais patente. Começou por ser um privilégio de um pequeno círculo de investigadores com acesso a poderosas máquinas computacionais e boas ferramentas de telecomunicações. Depressa os I.S.P.s (fornecedores de acesso à Internet) começaram a promover este tipo de serviço que movimenta hoje centenas de milhões de contos. O seu crescimento foi e continuará a ser exponencial.
Nada disto nos impressiona numa era em que, os nossos automóveis têm tanta capacidade de processamento de dados como o foguetão que levou os primeiros astronautas à Lua e existem telefones celulares com mais memória do que a dos computadores de bordo do primeiro vaivém espacial.
A Internet, e em especial as páginas da Web, têm uma única razão de existir: -Vender... Vender produtos, vender serviços, vender informação. Até a mais inofensiva página de um pacato cidadão, ao contar a sua vida e publicar as fotografias de família, está a vender sem se aperceber disso.
Se pensarmos que hoje em dia, os produtos concorrentes são cada vez mais homogéneos e parecidos com os nossos, facilmente chegaremos à conclusão de que o apoio ao cliente, (Costumer Service}, tem cada vez mais importância nas vendas.
E o futuro?
Daqui a 10 anos olharemos para a nossa primeira página na Web, como para uma fotografia a preto e branco queimada pelo tempo e com alguma nostalgia.
Com a chegada da Internet 2, que permite velocidades assombrosas (20MB/s), as páginas da Web serão cada vez mais interactivas. A nossa página terá vídeos e programas interactivos em tempo real. As dúvidas e questões dos nossos clientes, serão respondidas imediatamente por um técnico virtual.
Mas o futuro só a Deus pertence.
Até lá..."

Sem tentar fazer futurologia, a minha visão a 10 anos, não fugiu muito da realidade que temos hoje na Internet:
- Vídeos – YouTube, google video, etc
- Técnicos virtuais – Ikea ( perguntar à Ana - Apoio ao cliente)
-  Interactividade – Wikipedia, Second life, Hi5, Orkut, Flickr, etc.
Só para citar exemplos mais conhecidos. O panorama dos motores de busca, apontadores e directórios, também se alterou profundamente, assim como o número de "internautas" (um nome que se usa cada vez menos) e o número de domínios. Em Setembro (2007) passado a Netcraft estimava que existiam 135.166.473 sites em todo o mundo (fonte: netcraft.com)
A banda larga chegou rápidamente a Portugal. Portugal ocupava no 3º trimestre de 2007 um orgulhoso 4º lugar no ranking europeu com 26% de penetração.
Dinamarca - 34,3%
Holanda - 33,5 %
Finlândia - 28,8%
Portugal - 26%
Bélgica - 23,8%
Reino Unido - 23,7%
França - 22,5%
Luxemburgo - 22,2%
Alemanha - 21,2%
Austria - 18,6%
Espanha - 17%
Itália - 15,8%
Irlanda - 15,4%
República Checa - 12,2%
Hungria - 11,6%
Polónia - 8%
Grécia - 7,1%
Fonte: ICP-ANACOM
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